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LEMBRO-ME

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LEMBRO-ME apenas de alguns detalhes quando realizei essa fotografia. Selecionei-a para celebrar a sua recentemente conquistado do 1ª prêmio no III Black & White Award WPGA, 2013, na categoria retrato.

Em setembro de 1999 na companhia do amigo jornalista português Paulo Chitas andamos pelo interior da Bahia e juntos tivemos a oportunidade de permanecer alguns dias em um quilombo localizado às margens do rio Marimbu.

Passado mais de uma década, impossível não me pergunta sobre o atual paradeiro e destino deste garoto cuja infância foi curtida – ou sofrida – em um povoado do nordeste brasileiro. Mesmo sabendo que no Brasil prevalece as desigualdades e injustiças sociais, prefiro acreditar que hoje este menino é um homem realizado e digno da grandeza da raça dos seus ancestrais.

A exemplo da maioria das casa do povoado, este garoto vivia em uma modesta habitação com paredes de taipa, chão de terra batida e fogão à lenha. A bondade e paciência com que ele se submeteu à sessão fotográfica se revela na luz refletida do seu olhar.

Foi nesta pequena comunidade que tivemos a oportunidade de ouvir pela primeira vez os tambores do jarê (uma forma de candomblé), as oferendas do caruru aos sete meninos de São Cosme e Damião, a produção artesanal de tapioca, a fabricação do azeite de dendê retirado da polpa do fruto do dendezeiro (palmeira originária da costa ocidental africana). Ali também conheci o Sr. Manoel, com 73 anos, pai de 25 filhos, o homem responsável pelo povoamento do local....

Entre tantos sonhos e projetos pessoais, quero um dia ali retornar  para compartilhar com a comunidade esse envelhecer das imagens que ali capturei.