Fé Córdula, um dos mais talentosos pintor primitivo brasileiro, faleceu em GO na última quinta feira, dia 11.
São Francisco e os animais foram temas recorrentes na obra de Fé Córdula.
Ano passado tive o privilégio de visitar este fabuloso artista nordestino que durante vários anos viveu em uma chácara situada há alguns quilômetros da capital goiana. Foi então neste primeiro encontro que dei início a um antigo desejo de produzir um documentário sobre a obra de um autor pela qual, particularmente, tenho uma profunda admiração.
Os cinco dias que estive com o Fé, ou Chico, como preferia ser chamado, foram suficientes para descobrir que por trás daquele robusto e teimoso homem habitava um espiritualista vocacionado a impregnar em suas telas alegria, cores e muita vida. Chico me surpreendeu com o seu conhecimento e interesse pelos grandes mestres espirituais, tais como Chico Xavier, Prof. Hermógenes, Gandhi e Yogananda, entre outros que ocupam destaques no panteão da civilização védica.
Primeiro dia de gravações na casa de Fé Córdula - (foto Gustavo Porpirno)
Deixei a casa de Chico e de Maria das Dores, a sua esposa, já tarde da noite e exausto pelos dias intensos de trabalho que ali tive. A tira colo com as bolsas de equipamentos carregava a realização profissional preenchida pelos preciosos depoimentos gravados durante aqueles dias de muita empatia e cumplicidade. Na Alma trazia a alegria pela recente descoberta de que apesar de um passado embrutecido de amarguras, arrependimentos e conflitos, habitava em Fé um generoso Ser que buscava arduamente o reencontro da paz, do entendimento familiar, da alegria e das cores que a vida pode ter, sentimentos esses sensivelmente expressados em seu trabalho.
Chico e eu nos despedimos com a certeza de que haveria entre nós novos encontros, nova tertúlia onde temas sobre Deus e os mistérios da vida inevitavelmente seriam novamente suscitados. Fé partiu e eu não voltei à sua chácara..., entretanto, o nosso próximo encontro já está marcado e acontecerá numa ilha de edição com a montagem e finalização do seu filme.
Que Chico siga em Paz! E por aqui ficamos nós com o legado da beleza e simplicidade da sua luminosa obra.
Um presente que ganhei de FÉ CÓRDULA. Obrigado meu amigo Chico!
Chico vivia numa chácara entre muitos muitos muitos cães e gatos... (foto Gustavo Porpino)
Em depoimento para o documentáro o artista plástico Siron Franco ressalta o diferencial e o domínio das cores na obra primitiva de Fé Córdula.
Durante o primeiro dia de gravação o jornalista Gustavo Porpino colaborou com o documentário entrevistando o Fé Córdula.
O imaginário do Nordeste, onde nasceu Fé Córdula, nunca o abandonou.
Fé Córdula, natural do Rio Grande do Norte, viveu durante vários anos no Estado de Goias. Cenas tomadas em 2015 na proximidade da sua chácara.