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FORA DE FOCO

"DEU JUMENTO" no Prêmio MARC FERREZ 2013 

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Como fotógrafo documentarista, radicado há mais de uma década no nordeste brasileiro, tenho coincidido meu olhar com temas regionais que expressam as condições de vida, o povo e a cultura da região. Ao ler o artigo do francês Gilles Lapouge, publicado no Estadão em junho de 2012, um verdadeiro desagravo à figura do jumento, mergulhei na história desse animal, que remonta, literalmente, aos tempos bíblicos – o jumento vai do Velho ao Novo Testamento em 133 citações.

O jumento também teve a honra de servir de montaria para Cristo quando Ele entrou em Jerusalém, antes da Paixão”, conta Lapouge. “Todo jumento tem uma cruz nas costas, não tem? foi ali que o menino santo fez o pipizinho! por isso ele é chamado de sagrado”, explica Luiz Gonzaga em um divertido forró.

 O fato é que, quanto mais eu me interessava pelo jumento – e mais percebia sua presença na história da humanidade, na literatura de todos os tempos, na música, nas tradições –, paradoxalmente, mais me dava conta, também, da sua ausência no mundo atual. 

 “A rarefação dos jumentos nos campos – no Nordeste brasileiro, no sul da França, mesmo na Palestina – sempre me pareceu uma desgraça. Fizemos tanta coisa juntos, eles e nós – as pirâmides, as minas, as rodas d’água, as catedrais, a agricultura...”, lembra Lapouge. 

 

O projeto  “NOSSO IRMÃO” tem, então, como objetivo principal, iluminar a saga desse herói-vítima brasileiro, de documentar, através do registro fotográfico, sua presença no Nordeste do Brasil, criando novas imagens e recuperando os vários papéis sociais desse animal único, singular na economia, na vida e no imaginário dos brasileiros.