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LEMBRO-ME

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LEMBRO-ME com clareza do momento quando fiz esta fotografia, é um fato recente. Era a minha primeira vista à Colômbia, estava em Medellín a convite da direção do 19ª Concurso de Latinoamericano de Fotografia Documental para receber um prêmio atribuído ao trabalho sobre a Cultura dos Mutilados.

Do aeroporto fui levado diretamente para o hotel Nutibara, uma referência dos anos 50 localizado na zona central da cidade próximo à praça Botero e ao Museu de Antioquia. Hoje a área está decadente com alto índice de prostituição, consumo de droga e violência, motivos pelo quais inúmeras vezes fui alertado sobre os perigos daquela área e seriamente advertido no sentido de evitar qualquer aventura pela rua que contornava a lateral esquerda do Nutibara.

O calendário marcava o 1º de maio de 2013, feriado em todo o país, as ruas quase desertas e a maioria dos estabelecimentos fechados. Sentia-me refém, aconselhado a não sair do hotel naquela noite. Parecia um pesadelo,  recém chegado eu estava curioso para descobrir o potencial da cidade que mesclava obras de Botero com histórias de paramilitares e narcotráficos.

Temendo riscos que eu próprio desconhecia usei o bom senso e logo aceite à condição de “prisioneiro. A janela da minha habitación proporcionava uma visão parcial da tal rua proibida, debruçado sobre o parapeito ali fiquei imaginando os segredos e mistérios daquela calleSentia-me como uma criança curiosa e impulsionada a desrespeitar regras...

Inquieto com tal condição recorri então à máquina fotográfica e comecei a fotografar o meu entorno sem sair do hotel. Das sacadas do Nutibara descobri alguns ângulos, entre eles esse sobre a tal rua proibida. A noite se alongava e por ali pacientemente fiquei por algum momento contemplando os universos de Fernando Botero.