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LEMBRO-ME

Uma entre tantas vantagens de estar “VIVO” é poder fotografar no dia dos “MORTOS”. Lembro-me desta data, um feriado de 2 de novembro de 2012 que me motivou visitar pela primeira vez o cemitério do Alecrim, em Natal, RN. 

Para muitos eles representam um local mal assobrado, para outros um santuário onde entes queridos descansam. Os cemitérios me fascinam como tema fotográfico, em Paris com frequência me refugiava no renomado Père Lachaise para meditar e através da terapia fotográfica amenizar a minha solidão. Sempre que posso me desvio e me perco em direção aos cemitérios...

Na manhã em que realizei essa fotografia acordei cedo, milagrosamente com facilidade encontrei estacionamento no disputado Bairro do Alecrim. Quando ali cheguei o cemitério já estava ornamentado com cores e pessoas. Por ser um local também frequentado por marginais eu estava alerta sobre possibilidades de assaltos. Em poucos minutos vivenciei uma cena triste ao escutar o lamento de uma senhora, idosa e indefesa, anunciando ter sido roubada. Logo fui tomado por uma mescla de compaixão, ódio e impotência.

Por horas explorei e fotografei o interior do cemitério, entretanto foi no seu exterior, próximo à porta de entrada, que me deparei com as barracas e os vendedores de flores. O colorido era espetacular, mas quando fotografo em preto e branco pratico o exercício da abstração das cores. Os vendedores, cientes da minha presença, amigavelmente me convidavam para fotografar as suas barracas com os respectivos arranjos. Acolhia com simpatia tal cordialidade e tentava lhes explicar que o meu foco era as coras penduradas. Pacientemente (alias, essa é uma virtude imprescindível aos fotógrafos) ali fiquei algum tempo a espera de um transeunte para então poder materializar este momento decisivo.