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OLHARES - VARANASI

PURISTA – Ser ou Não Ser

 

Ao contrário de alguns puristas, o reenquadramento (crop) de uma imagem é para mim sempre um exercício de prazer que adentra não somente o campo da criatividade, mas em especial as possibilidades de um resgate imagético.

Durante o ato de fotografar são inúmeros os motivos capazes de condenar uma fotografia ao fracasso, entre eles a má composição, a luz inadequada,  o excesso de elementos e etc.

No campo das artes plásticas, uma tela sobre o cavalete pode permanece dias, meses e até anos a espera da inspiração e intervenção do seu criador, ficando ali pacientemente sujeita aos rabiscos, pinceladas, sobreposições e remoções das camadas de tintas.

 Na literatura escritores e poetas burilam as palavras como bem lhes apetecem. “Minhoca arejam a terra, poetas a linguagem”, assim nos lembra  Manoel de Barros.

 Ora, com toda razão o leitor e esta curiosa senhora, sentada ao meu lado em uma das poltronas do vôo Avianca - 6309, destino  Natal – Brasília, devem estar perguntado qual seria a relação dessas palavras com esta fotografia? Meus caros amigos e senhora que me espreita, têm tudo a ver! Esta imagem foi cropada, sofreu um severo reenquadramento e na qualidade de autor e responsável confesso que o resultado alcançado graças a essa “mutilação” me proporciona um certo estado de satisfação, confirmando a tese da libertária possibilidade de expressão, lamentavelmente desconhecida pelos puristas que tanto negam os cortes e recortes da vida e da criação.