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LEMBRO-ME

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LEMBRO-ME que em junho de 2002, durante as festas comemorativas de São João, com o objetivo de documentar a doutrina do Santo Daime me lançava em uma aventura, entre aviões, carros e voadeiras (lancha), para aterrar numa nova dimensão encravada no sul da Amazônia.

O destino final era o Céu do Mapiá, uma pequena comunidade situada há 30 Km do Rio Purus, fundada em 1983 pelo Padrinho Sebastião. Na época da minha visita o povoado abrigava por volta de 500 habitantes, a maioria devotos do Santo Daime, que tem por prática a consagração da ayahuasca, uma bebida enteógena utilizada pelos indígenas para os seus rituais xamânicos.

Entre tantos registros realizados sobre a doutrina destaco o feitio, o termo designado para a produção da bebida, também conhecida por daime. Pela floresta andei e fotografei a coleta do jagube (cipó) e a sua maceração, atividades exclusivas dos homens, assim como o trabalho das mulheres na seleção das folhas (Chacrona), substância essencial para a produção do daime, à ela se atribui o poder da luz.

O ponto alto do feitio ocorreu quando essas duas poderosas substâncias de origem vegetal foram misturadas e fervidas em grandes caldeirões, um processo que dura dias até o seu engarrafamento artesanal. Foi através de um dos líderes do daime, Alex Polaris, ex-preso político e militante contra a ditatura, que tive a oportunidade e o livre acesso para documentar essa série ao qual intitulo, o Evangelho da Floresta.

Lembro-me que foi no Céu do Mapiá, no dia 30 de junho daquele ano, enquanto o Brasil celebrava a conquista do penta, que recebi a notícia de que o médium Chico Xavier havia desencarnado. Eu como tantos outros brasileiros ficamos duplamente sensibilizados. Na minha bolsa de fotografia ainda guardava os filmes não revelados recentemente produzidos sobre aquele Ser Iluminado, precisamente 15 dias antes daquela data.

OLHARES

Um olhar sobre o Vale do Amanhecer, DF.  Movimento doutrinário e religioso fundado  pela Tia Neiva, uma motorista de caminhão com dom da clarividência. Conforme a sua biografia, na década de 60 desenvolveu a técnica do transporte consciente, fenômeno que a possibilitava se trasportar diariamente até o Tibete para receber as instruções iniciáticas de um mestre tibetano.

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LEMBRO-ME

LEMBRO-ME que nesta data de 2002, em Rio Branco, Estado do Acre, foi um momento especial porque pela primeira vez eu frequentava um congá (terreiro). No seu interior o fogo, as explosões e a fumaça tomavam conta do ambiente e me provocavam um certo estado de êxtase, uma sensação de mistério, descoberta e benção pela oportunidade de ali estar documentado os trabalhos de curas praticado pelos membros desta doutrina conhecida por Barquinha. Para mim a bebida Ayahusaca não era totalmente desconhecida, uma vez no Céu do Mapiá  (sul da Amazônia) eu a provará pela primeira vez, durante os 15 dias em que la estive para documentar a doutrina do Santo Daime.

Foi na Barquinha, sob a atmosfera dos hinários, o poder da sagrada bebida e a responsável orientação do “presidente da casa” , Francisco, que vivenciei uma experiência transformadora em minha vida. Não se trata de fazer apologia à bebida, a intenção é revelar uma experiência pessoal da qual jamais esquecerei.

Por ali estive alguns dias fotografando vários rituais praticados pelos membros da Barquinha. Entre algumas imagens produzidas neste dia em particular gosto desta pela sua simplicidade, pelo mistério intrísico, pela par de velas ao fundo e em especial a forma de coração desenhada pela fumaça.

 

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