Juan Esteves

 

NOS ENTREGANDO A UMA IMAGEM

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A sensibilização do nosso consciente e inconsciente, reflexo de nosso despertar, se mostra na fotografia. Marcelo Buainain traz significados e significâncias, a relação direta com outras imagens sacralizadas. Impossível não ver a relação desta fotografia com o menino cego espanhol  feita por Cartier-Bresson.

Buainain é “bressoniano”, sua obra corrobora a ideia, portanto, pensemos em uma linha  intrínseca ao seu raciocínio imagético, que obviamente não busca uma similaridade.

O garoto indiano, desperta essa especulação. Os olhos fechados, lembram a outra imagem, mas nos afastam da intencionalidade, nos aproximando do snap shot, ainda que os padrões gráficos das fotografias sejam correspondentes .

A criança, isolada no centro da imagem por Bresson, tateia em uma parede cuja pintura desgastada sugere abstrações. A de Buanain parece abrir os braços como a outra, e seu isolamento é reforçado pelo padrão do piso geométrico.

Ambas se dirigem para algum lugar que não sabemos qual é, mas sentimos certa aflição nesse destemido movimento. A criança fala por si mesma, a imagem dá passagem para a subjetividade de seu conteúdo menos óbvio.

Buanain é o instrumento desta ação, nos leva a correr juntos, a fechar os olhos. Nos entregamos tão destemidos como eles.

Juan Esteves é fotógrafo brasileiro